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Inteligência artificial no design de interiores: da inspiração ao espaço real

O papel da inteligência artificial, da visualização 3D e do projeto na transformação de uma ideia num espaço pensado para si.

BORAGUI ·

Sala de estar com sofá, poltronas em madeira e grandes janelas
Proporção, materiais e luz na composição de uma sala de estar.

Uma fotografia da sala, algumas indicações e, em poucos instantes, uma nova proposta: madeira natural, um sofá generoso, iluminação acolhedora e uma combinação de materiais que parece resultar na perfeição. A inteligência artificial tornou mais acessível explorar possibilidades para os espaços onde vivemos.

É uma evolução que consideramos positiva. Quanto mais facilmente uma pessoa conseguir perceber e transmitir aquilo de que gosta, melhor podemos trabalhar a partir daí. A questão é perceber o que aquela imagem já resolve e o que continua por decidir.

Uma boa imagem pode ser um bom início

Nem sempre um projeto começa com uma ideia definida. Pode começar com uma sensação: querer uma sala mais confortável, um quarto mais tranquilo ou uma casa com maior continuidade entre as divisões.

As ferramentas de geração de imagem ajudam a explorar essas intenções, experimentar combinações e identificar preferências.

Para quem chega até nós com dificuldade em explicar o que procura, uma imagem pode ajudar bastante. Podemos conversar sobre a madeira, a luz, a disposição do mobiliário ou simplesmente sobre a sensação que aquele ambiente transmite.

O passo seguinte é perceber quais dessas escolhas fazem sentido na sua casa. É aí que começa uma parte importante do nosso trabalho.

O sofá é bonito. Mas cabe?

Imagine uma sala com um sofá amplo, duas poltronas e uma mesa de jantar para oito pessoas. Na imagem, tudo parece equilibrado.

Agora precisamos de colocar medidas nessa proposta. Quanto espaço fica para passar? Conseguimos afastar as cadeiras sem tocar no sofá? A porta da varanda continua acessível?

São perguntas pouco evidentes numa imagem bem conseguida, mas muito presentes quando começamos a viver numa casa.

O mesmo acontece com os materiais e o mobiliário. Uma superfície pode ter o aspeto pretendido e ser pouco adequada à utilização prevista. Um armário pode parecer simples, mas exigir decisões sobre aberturas, arrumação e fabrico que ainda não foram tomadas.

E há uma pergunta que deve acompanhar estas escolhas desde o início: quanto estamos dispostos a investir? Uma proposta só se torna útil quando conseguimos relacioná-la com as condições reais do projeto.

Para que serve, então, o 3D?

Na BORAGUI, usamos o 3D para desenvolver e comunicar as propostas. Interessa-nos que o cliente compreenda o espaço e tenha uma base clara para decidir.

Quando o modelo é construído a partir de um levantamento e de dimensões verificadas, podemos estudar a relação entre paredes, vãos e mobiliário, observando a mesma solução de diferentes perspetivas.

Isto permite discutir questões concretas: a estante está demasiado pesada? A mesa deve ser mais pequena? O móvel da televisão precisa de ocupar aquela parede toda?

A visualização ajuda a perceber volumes e proporções que nem sempre são fáceis de interpretar numa planta. Permite também comparar alternativas antes de encomendar mobiliário ou iniciar a execução.

É nesta fase que queremos levantar dúvidas e fazer ajustes. Alterar uma solução durante o projeto é muito diferente de descobrir o problema quando o móvel chega a casa.

Uma imagem não chega à oficina

Há uma distinção que consideramos essencial: mesmo um render muito realista não substitui a informação necessária para executar o projeto.

Um fabricante precisa de medidas, materiais, acabamentos e detalhes. Uma equipa de instalação precisa de saber como as peças se relacionam com o espaço e que condições vai encontrar.

Consoante o âmbito do trabalho, essa informação é transmitida através de desenhos técnicos, especificações e articulação entre os intervenientes.

Também precisamos de sair do ecrã. Ver uma madeira numa imagem não é o mesmo que observar uma amostra, sentir a textura ou perceber como reage à luz do espaço.

As imagens, os desenhos e as amostras cumprem funções diferentes. Em conjunto, ajudam a tornar as decisões mais claras e a reduzir interpretações durante a execução.

Onde entra a inteligência artificial?

Vemos a inteligência artificial como mais uma ferramenta com utilidade no processo. Pode ajudar a explorar ideias, testar caminhos e comunicar intenções. O que importa é saber em que fase estamos e o que podemos concluir a partir do resultado.

O desenvolvimento de um projeto continua a exigir escolhas relacionadas entre si: utilização, proporções, materiais, investimento e execução.

É esse conjunto que procuramos resolver na BORAGUI. Queremos que a casa funcione quando se abrem os armários, se recebem amigos ou se chega ao fim de um dia de trabalho.

Uma imagem que o entusiasma é um excelente ponto de partida. Se tem referências para a sua casa, traga-as. Vamos perceber como transformá-las num espaço pensado para si.